o olhar demora...

Num instante
só,
um olhar
alegre e triste.
Numa mudança simples...
Certa,
fácil,
longa...
Ao longe.
Punham-me muito longe.
Labirintos...
que uma aranha teceu.
Só que não fazia sentido...
Olhos nos olhos
o olhar demora.
Este poema
observa-me.
Absorve-me...
Num instante.

o eco...

A névoa encobria de novo
a cidade.
Pela manhã...
Outrora fora noite...
escura,
fria, húmida...
e densa.

Profunda harmonia
entre ambas
formam finalmente
o eco do silêncio...
Seu reflexo e geometria
propaga-se
num vazio de espirais...
capaz de
contornar as ondas...
o mar...
soltar no vento
um desejo...
da sua existência...
algures...
por aí!...
em alguma coisa...
em qualquer lugar...
em alguma parte!...

...

Silêncios,
poucas palavras.
Sentir profundo.
O mar revolta
a inofensiva e indefesa
areia,
ao seu prazer e sabor...
... na praia!...

soltos..

Transporto
sonhos
como
grãos de areia
em minhas mãos.
Finos...
minúsculos...
Deslizam
soltos...
e esquivam-se...
pelos meus dedos!...

utopia...

" o que faz falta é animar a malta... "---

Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Nao do lobo mas irmao
Capital da alegria
-
Braço que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
E teu a ti o deves
lança o teu
desafio
-
Homem que olhas nos olhos
que nao negas
o sorriso a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio este rumo esta gaivota
Que outro fumo deverei seguir
na minha rota?

visões...

Vejo tais coisas...
em reflexo
pela sua sombra projectada
nestas paredes húmidas.
Olho
este pássaro
que canta em silêncio
uma canção
... que não se aprende!...

a cor...

Inesperado
movimento
do eu e do outro.
Talvez vida...
talvez choque.
Silenciosamente
ao luar,
luzes acesas,
chuva e neblina.
Dissipam-se
a profunda harmonia
entre ela e o mundo...

nas tuas sombras...

Pelas tuas estreitas ruas
percorro...
travessias na
matéria do tempo.
Cidade abrupta.
Mergulho
nas tuas sombras,
teu granito,
iluminado pela tua geometria.
Compacto,
rude envolvente.
Absorvente.
Absorvido
pela tua luz,
te percorro
... pelos flancos.

Poema...

(O Eugénio de Andrade espera-me num Café.
Atravesso as ruas do Porto
- a cidade onde nasci - com os punhos cerrados de dor.)

Não nasci por acaso nestas pedras
mas para aprender dureza,
lume excedido,
coragem de mãos lúcidas.

Aqui no avesso da construção dos tempos
a palavra liberdade
é menos secreta.

Anda nos olhos da rua,
pega lanças aos gestos,
tira punhais das lágrimas,
conclui as manhãs.

E principalmente
não cheira a museu azedo
ou musgo embalado
pela chuva da boca dos mortos.

Começa nos cabelos das crianças
para me sentir mais nascido nestas pedras.

Porto
- cidade de luz de granito.

Tristeza de luz viril
com punhos de grito.

José Gomes Ferreira

cores...

"My morning earning"

instante...

Se por acaso,
na procura duma cor
neste jardim...
encontrares,
luz e
sombras reflectidas,
num instante
ela renasce
na figura que és...
e procuravas.

cores...

sinto...

Tenho só ar á minha volta.
Impossivel de sentir,
impossivel de tocar.
O coração pulsa...
É possível escutar!...
No som profundo do Inverno suave,
se por acaso te toco...
Sinto...
não há distância.

sombra...

Outra vez ali.
Afasto o luar.
Miro a Ursa Maior.
Indica-me o Norte...
Divago... porque a música acabou...
Recomeço!...
Definitivamente.
Há um longo silêncio...
Numa janela iluminada,
uma sombra é reflectida.
Num instante...
estática.
noutro...
dinâmica.
A minha sombra faz isso... muito melhor!...

perspectivas...

____________Perpectivas...
____________de sonhos...
____________"figuram"
____________nas sombras reflectidas,
____________desse chão húmido e vazio.
______________
____________O restante
____________é parte dum todo...
____________objectivo e concreto...
____________subjectivo e abstracto...
______________
____________Complexo?!...
____________excluo aí,
____________a parte
____________em que o vazio
____________dessas sombras...
____________reflectem a figura.

é mais...

É mais...
Tremor e vibração.
Palavras necessárias.
Isolamento,
capaz de compreender tudo.
Vazio vertical em...
transparência.
-
Na tarde limpa,
de luz e linhas,
o silêncio
é abstracto e concreto.
-
O deserto é mais vasto que o mar...
Forma a paz.

gota...

Gota minúscula
desce sua face...
escorre...
baila.
Ao som da melodia
triste...
alegre...
.
Hoje não se ouve o grito.
Não se sente
o choro...
quieto...
medita,
imenso o seu destino.
Contorna a sua existência...
.
Águas brandas...
gota...
de um rio imenso...
que tempestade
ofusca
a existência?!...
.
A lágrima
meiga...
suave...
como um fio de cristal...
frágil...
.
esquecendo...
sonhando...
.
apenas escorrendo... cai...

bebe!...


-
-
O sonho escorre,

pela água límpida

deste rio!...

Não te esqueças de a beber!...

Ligações...

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