o instante...
Dum
supremo instante,
num momento!...
Continuar a distrair-nos de tudo,
o que nos surpreende...
o que nos atormenta.
explica o vento que te invade...
Imagem.
Reflexo.
de si...
dum momento...
num instante.
Dum
supremo instante,
num momento!...
Continuar a distrair-nos de tudo,
o que nos surpreende...
o que nos atormenta.
explica o vento que te invade...
Imagem.
Reflexo.
de si...
dum momento...
num instante.
Conservar algo,
da construção que fazemos de nós...
uma linha bem ténue,
traçada de forma aleatória,
indiferente,
apenas traços, rabiscos...
palavras e som.
Limitei-me a sentir...
são momentos...
-
Sou do tamanho deste silêncio.
-
Vou fazer silêncio...
porque quero ouvir o vento,
a música,
os pássaros,
as águas deste rio,
as pequenas coisas que nos cercam...
ou apenas...
porque as palavras estão gastas.

Encharcadas...
pela chuva miúdinha e cinzenta,
gota a gota.
intensificou-se...
a tempestade nocturna.
Madrugada mais serena,
por momentos,
com a luz das manhãs de outrora...
uma coisa, estranhamente...
o seu poder do silêncio.
Observamos...
Tiramos notas...
traçamos linhas... planos...
geometrias de alinhamentos...
Exactas e desertas,
divergem...
As ruas permanecem com ar lavado e limpo...
em silêncio.
outrora,
como se o tempo parasse...
diante da imensidão deste espaço
Transpareces
talvez falte o sabor
ou o perfume dessa música...
Num delirio
conto carneirinhos...
Adormeço
e quando em sonhos
umas sombras estranhas aparecem...
reflexos projectados
do tempo...
o vento forte que lá fora sopra...
sopra... sopra...
até que as espalha...
na minha memória.
Imagens...
sentir o horizonte...
fitar a lua...
sentir o que vai dentro dela...
ouvir
ao longe, a música do mar...
fitar as sombras da minha mão,
estranhas formas,
sombras em movimento...
... porque a vida não se acaba nunca... apenas recomeça!...
Saber não ter ilusões é absolutamente necessário para se poder ter sonhos. Atingirás assim o ponto supremo da abstenção sonhadora, onde os sentimentos se mesclam, os sentimentos se extravasam, as ideias se interpenetram. Assim como as cores e os sons sabem uns a outros, os ódios sabem a amores, e as coisas concretas a abstractas, e as abstractas a concretas. Quebram-se os laços que, ao mesmo tempo que ligavam tudo, separavam tudo, isolando cada elemento. Tudo se funde e confunde.
Se ousar ser, do tamanho daquilo que não sou. Serei certamente Algo que me transcende e se revela... Tudo o que fui... o que sou e faço... o que serei e farei... Será uma sombra projectada... daquilo que me resta!...