behind blue eyes...
the who by limpbizkit
Uns vão
Uns tão
Uns são
Uns dão
Uns não
Uns hão-de
Uns pés
Uns mãos
Uns cabeça
Uns só coração
Uns amam
Uns andam
Uns avançam
Uns também
Uns cem
Uns sem
Uns vêm
Uns têm
Uns nada têm
Uns mal
Uns bem
Uns nada além
Nunca estão todos
Uns bichos
Uns deuses
Uns azuis
Uns quase iguais
Uns menos
Uns mais
Uns médios
Uns por demais
Uns masculinos
Uns femininos
Uns assim
Uns meus
Uns teus
Uns ateus
Uns filhos de Deus
Uns dizem fim
Uns dizem sim
E não há outros
by Caetano Veloso
You're right,
Or grow strong,
Funky is the word.
Oh, this is so funky,
Funky in my heart,
This girl is funky,
The girl in my dreams cracks me up.
Funky, oh that's the word,
But Jane, do you really care how funky styles of your could be?
Can you just see me lonely?
Funky is the word you could only say.
It's so funky,
Jane, can't you see?
You could be loved by any boy in the world...
u2
Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta (11-3-1914)
XXVI
Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Porque sequer atribuo eu
Beleza às coisas.
Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então porque digo eu das coisas: são belas?
Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as coisas,
Perante as coisas que simplesmente existem.
Que difícil ser próprio e não ver senão o visível!
"Alberto Caeiro" O guardador de rebanhos
I dream of rain
I dream of gardens in the desert sand
I wake in vain
I dream of love as time runs through my hand
I dream of fire
Those dreams that tie two hearts that will never die
And near the flames
The shadows play in the shape of the man’s desire
This desert rose
Whose shadow bears the secret promise
This desert flower
No sweet perfume that would torture you more than this
And now she turns
This way she moves in the logic of all my dreams
This fire burns
I realize that nothing’s as it seems
I dream of rain
I dream of gardens in the desert sand
I wake in vain
I dream of love as time runs through my hand
I dream of rain
I lift my gaze to empty skies above
I close my eyes
The rare perfume is the sweet intoxication of love
I dream of rainI dream of gardens in the desert sand
I wake in vain
I dream of love as time runs through my hand
Sweet desert rose
Whose shadow bears the secret promise
This desert flower
No sweet perfume that would torture you more than this
Sweet desert rose
This memory of hidden hearts and souls
This desert flower
This rare perfume is the sweet intoxication of love...
Sting
an empty heart looking outside
goodnight baby, wishes on sand not
coming anymore
I pull up a chair in empty
surroundings
I miss the way you talked about sunny
days that will never be warm
May you rise from the ashes
As lovers we’re drowning in a river so
deep
Floods upon me
How could I see and forget
If I can’t hold you down
I am the whole night long
I learned to dim the light, not screen
it
and maybe I learned not to live too
fast
but each line drove me places where
I never aimed to end up
As I miss your charms and you’re not
there and I see the stairs
As lovers we’re drowing in a river so
deep
Floods upon me
How could I see and forget
If I can’t hold you down
Blind Zero- the night before and a new day
"It’s coming back so fast,
that I should fake this alone.
You kept me back so unthinking,
that I should fake this alone.
*
Because your breath is still in me
and you shape is still around
and this shallow light won’t let me go,
no…
*
Because even if you break my heart
and even if you make things wrong,
you will always be the one,
you will always be my love.
*
I will fight against those walls
I will love against those walls,
I will dream against those walls,
I can lie against those walls,
or even try to break those walls,
I try to fly upon those walls,
I can bring light to your wall
again and again against those walls,
I will sleep against those walls,
I’ll bet my life to sing my songs…"
#
Wallpaper, The Gift
Sentir de novo
aquela dor
a pouco a pouco respirar
aquele amor que foi
vivido e esquecido
em segredo
*
como ninguém
*
Perdoar
como perdoar
há tanto tempo que eu queria
mudar
queria voltar
Acordar
deixar o dia passar devagar
assim ficar
*
Sentir de novo
aquele amor
a pouco a pouco consolar
aquela dor que foi sentida e sofrida
em silêncio
*
Chegar de novo
Sentir o amor
voltar a casa sem pensar
deixar a luz entrar
esquecer aquela mágoa
sem ter medo
*
como ninguém
*
Encontrar
poder encontrar
todas as coisas que eu não soube dar
saber amar
Perdoar
saber perdoar
há tanto tempo que eu queria mudar
queria voltar
Aceitar
deixar que o tempo te faça voltar
saber esperar
#
em "Alma Mater" Rodrigo Leao & Adriana Calcanhoto
São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?
Eugénio de Andrade

Aniversário
No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.
Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!
O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhaslágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!
Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Pára, meu coração!
Não penses!
Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...
Fernando Pessoa(Álvaro de Campos)
Se ousar ser, do tamanho daquilo que não sou. Serei certamente Algo que me transcende e se revela... Tudo o que fui... o que sou e faço... o que serei e farei... Será uma sombra projectada... daquilo que me resta!...