Loucos e santos...
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.Quero-os metade infância e outra metade velhice.
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos, para que nunca tenham pressa.
Quero amigos para saber quem eu sou...
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril..."
Oscar Wilde
" possivel..."
A diferença
entre
o que se conhece
e o que não se conhece...
é o tempo...
Espera!...
Isso é possivel.
"não esgotes o tempo do possível..."
espero.
mundos mudos...
...
"Ao longe procuras
Sem saber o que encontrar
(um reflexo de sol)
O sofrimento
É o único sentimento puro,
Não menos,
O menos desejado.
É um silêncio que não se cala,
Nunca morre,
No âmago
Do teu ser,
Do mais intimo
(há sempre uma razão para sofrer)
O refúgio,
A solidão.
Rodeado de gente
Sem ninguém realmente perto.
Olhos baços,
Molhados,
Boca triste.
Pinturas ao espelho
São uma máscara,
Fingimentos da alma.
Nunca se deveria chorar sozinho."
Carlos Veríssimo
verdades!...
Se te derem um céu...
voa ao sabor
do vento!...
Se te derem um mar...
de ilusão...
navega ao sabor
do tempo!...
Paciência...
coisas...
o desejo...
O desejo
fechou-se um dia para pensar!...
Na sua forma de ser
estranho...
mas
na sua ausência...
sinto
que talvez
exista
como alicerce de um sonho...
infinito...
Parto e...
vagueio
nas asas do vento.
-
No verde
do campo
renasço...
-
Com o calor
do sol...
existo.
-
Preencho...
------------espaço...
--------------------- ...longo.
-
-----no infinito... do
--------------- --- ... profundo
---------------------------------silêncio!...
dispersão...
"Há momentos em que parto não sei para onde. Navegação espiritual. Ou dispersão na terra abstracta, a única que se vê quando não se vê. São as grandes caçadas dentro de mim mesmo, a busca da magia perdida, uma palavra cintilante, uma perdiz imaginária, um sopro, um ritmo, uma espécie de bafo. Como o teu. Às vezes sinto-o, outras não. Mas sei que estás aí, algures, enroscado na minha própria solidão."
"Cão Como Nós" Manuel Alegre - D. Quixote, 2002
algures...
-------e estupefacto
Observo
-------no horizonte
as cores
-------dum sol
que outrora
-------se pôs
-----------------e foi embora!?...
devEm eXistiR cOrEs inteNsaS em alGum LuGaR...
nUmA soMbra
pRocurA
uM trAço,
umA coR
talvEz um aRco-íriS...
uM soRrisO,
apEnaS...
nUm instAntE qUe seJa...
-
coMo num cOnTo de fAdaS,
eNcontRaráS
rEstOs
daQuilo qUe proCurAs...
eM almAs cHeiAs de aLmA,
eM sonHos
e dEseJos...
em pEdaçoS dE...
sOrriSos infiNitoS...
-
iNstaNteS
eM que obserVanDo
a tUa próPria soMbra
vEráS o RefleXo
dA luz que tE ilUmiNa...
-
o rEfleXo é tEu...
mAs tu nãO és o reFlexO...
Serei?!...
o olhar demora...
Num instante
só,
um olhar
alegre e triste.
Numa mudança simples...
Certa,
fácil,
longa...
Ao longe.
Punham-me muito longe.
Labirintos...
que uma aranha teceu.
Só que não fazia sentido...
Olhos nos olhos
o olhar demora.
Este poema
observa-me.
Absorve-me...
Num instante.
o eco...
A névoa encobria de novo
a cidade.
Pela manhã...
Outrora fora noite...
escura,
fria, húmida...
e densa.
Profunda harmonia
entre ambas
formam finalmente
o eco do silêncio...
Seu reflexo e geometria
propaga-se
num vazio de espirais...
capaz de
contornar as ondas...
o mar...
soltar no vento
um desejo...
da sua existência...
algures...
por aí!...
em alguma coisa...
em qualquer lugar...
em alguma parte!...
utopia...
Sem muros nem ameiasGente igual por dentro
gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Nao do lobo mas irmao
Capital da alegria
-
Braço que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
E teu a ti o deves
lança o teu
desafio
-
Homem que olhas nos olhos
que nao negas
o sorriso a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio este rumo esta gaivota
Que outro fumo deverei seguir
na minha rota?
nas tuas sombras...
Pelas tuas estreitas ruas
percorro...
travessias na
matéria do tempo.
Cidade abrupta.
Mergulho
nas tuas sombras,
teu granito,
iluminado pela tua geometria.
Compacto,
rude envolvente.
Absorvente.
Absorvido
pela tua luz,
te percorro
... pelos flancos.
Poema...
Não nasci por acaso nestas pedras
mas para aprender dureza,
lume excedido,
coragem de mãos lúcidas.
Aqui no avesso da construção dos tempos
a palavra liberdade
é menos secreta.
Anda nos olhos da rua,
pega lanças aos gestos,
tira punhais das lágrimas,
conclui as manhãs.
E principalmente
não cheira a museu azedo
ou musgo embalado
pela chuva da boca dos mortos.
Começa nos cabelos das crianças
para me sentir mais nascido nestas pedras.
Porto
- cidade de luz de granito.
Tristeza de luz viril
com punhos de grito.
José Gomes Ferreira
sombra...
Outra vez ali.
Afasto o luar.
Miro a Ursa Maior.
Indica-me o Norte...
Divago... porque a música acabou...
Recomeço!...
Definitivamente.
Há um longo silêncio...
Numa janela iluminada,
uma sombra é reflectida.
Num instante...
estática.
noutro...
dinâmica.
A minha sombra faz isso... muito melhor!...
perspectivas...
____________Perpectivas...
____________de sonhos...
____________"figuram"
____________nas sombras reflectidas,
____________desse chão húmido e vazio.
______________
____________O restante
____________é parte dum todo...
____________objectivo e concreto...
____________subjectivo e abstracto...
______________
____________Complexo?!...
____________excluo aí,
____________a parte
____________em que o vazio
____________dessas sombras...
____________reflectem a figura.
gota...
Gota minúscula
desce sua face...
escorre...
baila.
Ao som da melodia
triste...
alegre...
.
Hoje não se ouve o grito.
Não se sente
o choro...
quieto...
medita,
imenso o seu destino.
Contorna a sua existência...
.
Águas brandas...
gota...
de um rio imenso...
que tempestade
ofusca
a existência?!...
.
A lágrima
meiga...
suave...
como um fio de cristal...
frágil...
.
esquecendo...
sonhando...
.
apenas escorrendo... cai...
o instante...
Dum
supremo instante,
num momento!...
Continuar a distrair-nos de tudo,
o que nos surpreende...
o que nos atormenta.
explica o vento que te invade...
Imagem.
Reflexo.
de si...
dum momento...
num instante.
lá...
apenas...
Conservar algo,
da construção que fazemos de nós...
uma linha bem ténue,
traçada de forma aleatória,
indiferente,
apenas traços, rabiscos...
palavras e som.
Limitei-me a sentir...
são momentos...
-
Sou do tamanho deste silêncio.
-
Vou fazer silêncio...
porque quero ouvir o vento,
a música,
os pássaros,
as águas deste rio,
as pequenas coisas que nos cercam...
ou apenas...
porque as palavras estão gastas.
gota a gota...

Encharcadas...
pela chuva miúdinha e cinzenta,
gota a gota.
intensificou-se...
a tempestade nocturna.
Madrugada mais serena,
por momentos,
com a luz das manhãs de outrora...
uma coisa, estranhamente...
o seu poder do silêncio.
Observamos...
Tiramos notas...
traçamos linhas... planos...
geometrias de alinhamentos...
Exactas e desertas,
divergem...
As ruas permanecem com ar lavado e limpo...
em silêncio.
perfume...
reflexos...
outrora,
como se o tempo parasse...
diante da imensidão deste espaço
Transpareces
talvez falte o sabor
ou o perfume dessa música...
Num delirio
conto carneirinhos...
Adormeço
e quando em sonhos
umas sombras estranhas aparecem...
reflexos projectados
do tempo...
o vento forte que lá fora sopra...
sopra... sopra...
até que as espalha...
na minha memória.
aos amigos...
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
- Temos um talento doloroso e obscuro.
construimos um lugar de silêncio.
De paixão.
-
Herberto Hélder
estranha forma...
Imagens...
sentir o horizonte...
fitar a lua...
sentir o que vai dentro dela...
ouvir
ao longe, a música do mar...
fitar as sombras da minha mão,
estranhas formas,
sombras em movimento...
... porque a vida não se acaba nunca... apenas recomeça!...
pensamentos...
Todos os dias deveríamos ler
Goethe





























